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Educação sexual nas escolas: por que abordar e como aplicar

Atualizado em 27/06/2025.

A educação sexual nas escolas é parte essencial da formação integral de crianças e adolescentes. Muito além de falar sobre sexo, esse trabalho envolve ensinar sobre conhecimento, respeito, responsabilidade e proteção — fundamentais para o desenvolvimento saudável dos estudantes.

Ao abordar temas como puberdade, consentimento, prevenção de abusos, diversidade e autocuidado, a escola assume seu papel de agente formador, ajudando a criar um ambiente mais seguro, acolhedor e consciente para todos. 

Para os educadores, trata-se também de fortalecer o diálogo com as famílias e combater tabus que, muitas vezes, silenciam questões urgentes.

Continue a leitura, e entenda mais da importância da educação sexual no ambiente escolar, o que diz a lei, e veja ainda ideias de atividades sobre educação sexual para aplicar em sala de aula com responsabilidade e sensibilidade.

Neste artigo você vai ver:

  • O que é educação sexual?
  • Qual a importância da educação sexual nas escolas?
  • Qual o papel da escola na prevenção contra abusos?
  • O que o ECA diz sobre a educação sexual? 
  • Como abordar o tema educação sexual?
educação sexual nas escolas

O que é educação sexual?

A educação sexual é um conjunto de conhecimentos que visa preparar crianças e adolescentes para lidar com a sexualidade de forma consciente, responsável e segura

Ao ser trabalhada nas escolas, ela promove o autoconhecimento, o respeito ao corpo e o cuidado com o outro, sempre de acordo com a faixa etária dos alunos.

A educação sexual nas escolas esclarece dúvidas e orienta os estudantes sobre questões como puberdade, limites, consentimento, higiene e prevenção de riscos — fundamentais para o desenvolvimento integral.

Para que esse processo seja eficaz, é essencial:

  • Adaptar a linguagem e os conteúdos de acordo com a idade e o nível de compreensão de cada turma;
  • Capacitar os professores para que conduzam o tema com segurança, empatia e sensibilidade;
  • Construir uma parceria com as famílias, mantendo um diálogo aberto e respeitoso sobre o propósito das atividades de educação sexual.

Qual a importância da educação sexual nas escolas?

Ao ser tratada com responsabilidade e abertura no ambiente escolar, atividades sobre educação sexual contribuem para a construção de uma geração mais informada, respeitosa e consciente de seus direitos.

Segundo a psicóloga e doutora em Educação Mary Neide Damico Figueiró, a educação sexual está presente no cotidiano das crianças, ainda que de forma não estruturada. Por isso, ela defende a necessidade de abordá-la de forma intencional e educativa:

A educação sexual é toda oportunidade que a criança ou adolescente tem de receber informações sobre tudo que diz respeito ao seu corpo — do desenvolvimento da sexualidade às questões de gênero. O principal objetivo é promover conhecimento de forma natural, positiva e sincera.

A especialista também alerta que o despreparo de adultos, seja em casa ou na escola, pode gerar aprendizados distorcidos ou até prejudiciais. Além disso, tabus e silêncios em torno do tema dificultam o diálogo e criam barreiras para o entendimento saudável da sexualidade.

Por que tratar a educação sexual nas escolas?

  • Cria um ambiente seguro para esclarecer dúvidas e desconstruir mitos;
  • Evita que crianças e adolescentes busquem informações em fontes não confiáveis;
  • Ajuda a prevenir gravidez precoce, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e situações de abuso;
  • Fortalece a confiança entre alunos, escola e família.

Ao abordar o tema com naturalidade, ética e respeito, a escola cumpre seu papel social de garantir uma formação completa, que vai além do conteúdo curricular — transmitindo bem-estar, autonomia e proteção.

Qual o papel da escola na prevenção contra abusos?

A educação sexual nas escolas desempenha um papel essencial na prevenção de abusos e da violência sexual infantil e juvenil

crianças aprendendo sobre educação sexual

Ao trabalhar o tema de forma adequada e contínua, as instituições criam um ambiente seguro e de confiança no qual os alunos aprendem a identificar situações inadequadas e sabem como buscar ajuda.

Por que a escola é tão importante nessa prevenção?

Segundo especialistas, a maioria dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes ocorre dentro do ambiente familiar, muitas vezes praticados por pessoas próximas. 

Nesses casos, a escola pode ser o único espaço em que a vítima encontra acolhimento e a oportunidade de ser ouvida.

O que ensinar na prática?

Já na educação infantil, é fundamental:

  • Ensinar o nome correto das partes do corpo, incluindo os órgãos genitais;
  • Trabalhar os conceitos de privacidade, consentimento e respeito aos limites;
  • Ajudar a criança a diferenciar carinho de carícias inapropriadas;
  • Reforçar que ela tem o direito de dizer “não” e deve relatar qualquer situação desconfortável.

Ao investir na formação da equipe e na implementação de atividades sobre educação sexual, as escolas cumprem seu papel legal e social e ainda se tornam agentes ativos na proteção dos direitos das crianças e adolescentes.

Alerta para sinais silenciosos de abuso

Nem sempre crianças que sofrem abuso conseguem verbalizar o que estão vivendo — seja por medo, vergonha ou manipulação. Por isso, é fundamental que a equipe escolar esteja atenta a mudanças sutis no comportamento, como:

Queda repentina no rendimento escolar;

– Isolamento sem motivo aparente;

– Crises de choro, agressividade ou medo persistente.

O que o ECA diz sobre a educação sexual?

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 17, assegura o direito à dignidade, ao respeito e à inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral de crianças e adolescentes. Isso inclui o direito à informação e à proteção contra qualquer forma de abuso ou exploração sexual.

Além disso, o artigo 5º reforça que nenhuma criança ou adolescente será objeto de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão.

“É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente.” — ECA, Art. 70

O que a BNCC fala sobre educação sexual?

A BNCC não trata diretamente da expressão “educação sexual”, mas orienta, de forma transversal, o trabalho com temas como:

  • Corpo e identidade;
  • Gênero e diversidade;
  • Autocuidado e respeito ao outro;
  • Prevenção a violências, inclusive de cunho sexual.

Esses temas estão presentes nos componentes de Ciências, Educação Física, Ensino Religioso e Projeto de Vida, principalmente nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

“A escola deve promover práticas que assegurem o respeito mútuo, a empatia e a valorização da diversidade de identidades, gêneros e culturas.” — BNCC

A abordagem proposta pela BNCC valoriza o desenvolvimento integral do aluno e incentiva a construção de uma cultura de respeito, responsabilidade e autoconhecimento.

Atividades para abordar a educação sexual na sala de aula

Para que a educação sexual nas escolas seja realmente efetiva, é essencial que o assunto seja tratado de forma contínua, respeitosa e interdisciplinar. 

Isso significa que as atividades sobre educação sexual não precisam estar restritas a uma disciplina específica, mas podem ser integradas a diferentes áreas do conhecimento — como Ciências, Redação, História e até Educação Física.

criança aprendendo sobre educação sexual na escola

A seguir, listamos 6 sugestões de atividades sobre sexualidade que podem ser adaptadas conforme a faixa etária e o contexto da sua escola:

1. Rodas de conversa e debates mediados

Criam um espaço seguro para os alunos expressarem dúvidas e opiniões. Favorecem o diálogo aberto sobre sexualidade, respeito, gênero e prevenção.

2. Atividades lúdicas e dramatizações

Ideais para o Ensino Fundamental I, ajudam a explorar temas como consentimento, privacidade e autocuidado de forma leve e acessível.

3. Palestras com especialistas

Profissionais da saúde, psicólogos e ONGs podem trazer informações confiáveis sobre ISTs, métodos contraceptivos, puberdade e saúde sexual, principalmente para alunos do Ensino Médio.

4. Análise de vídeos, filmes e séries

Recursos audiovisuais são bons pontos de partida para reflexões. Algumas séries e documentários podem trazer temas como consentimento, identidade e prevenção.

5. Oficinas e projetos interdisciplinares

Atividades práticas e colaborativas sobre temas como gravidez precoce, diversidade e cuidados com o corpo tornam o aprendizado mais significativo.

6. Uso de materiais visuais e bonecos anatômicos

Essenciais para explicar o sistema reprodutor e os limites do corpo com clareza, especialmente em séries iniciais, de forma didática e sem tabu.

Como vimos, abordar o tema de forma ética, segura e acolhedora é uma responsabilidade que deve ser compartilhada por toda a comunidade escolar — da gestão aos professores, passando por coordenadores e famílias.

Se a sua escola ainda não incluiu esse tema de forma sistematizada em seu projeto pedagógico, este é o momento de começar. Afinal, educar para o respeito e para o cuidado é também educar para a vida.

E então, gostou desse conteúdo? Compartilhe com outros gestores e educadores que gostariam de saber mais sobre educação sexual nas escolas. Aproveite e leia outros artigos do nosso blog.

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